quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O Príncipe das Marés meu!



Emiliana é uma pessoa linda que tive o prazer de esbarrar no mundo da blogsfera e hoje, lamentávelmente, esta se despedindo dele. Emiliana e seu mundo "As histórias de Emília" certamente vão deixar saudades em muitos mas em mim, Emiliana vai deixar muito mais do que isso, vai deixar muito aprendizado, sementes plantadas por ela, novos sonhos, uma nova forma de ver o mundo virtual e até, uma nova forma de ver o amor, sim, o amor. Emiliana, sem dúvida alguma, contribiu pro nascimento desta nova Camila, que está se construindo e se transformando dia-à-dia...
Mais uma vez, OBRIGADA EMILIANA. Obrigada por transformar meu olhar em tantos pontos mas, especialmente, em relação ao amor e ao mundo virtual.

O primeiro texto da Emiliana lido por mim, foi "Amor virtual (3) O Príncipe das Marés". O título em sua página me chamou atenção, não sei porque, e lá fui eu. Nem era o texto do dia, era uma postagem já antiga mas algo me atraiu para ela. Eu, tão machucada, sofrida, desiludida por um "amor" e rejeitando tudo o que falasse sobre, li o texto fascinada, entrei na história, vivi, senti as emoções, sorri e, sonhei... fazia tempo que não sonhava, só sofria, havia quase esquecido como era bom sonhar. E sonhando, novamente, sorri, fazia tempo que não sorria sem um traço de dor e nesse sorriso, havia apenas, um traço de desejo ainda que negado.

Eu, a mais cética em relação a qualquer história iniciada via internet e, recentemente, a mais desacreditada em relação ao amor não conseguia tirar tal história da cabeça. Fui dormir pensando nela e durante vários dias ela ía e vinha à minha cabeça. Eu que tenho um sobrinho híper amado nascido de uma relação que começou pela internet e que tenho um primo casado há 10 anos com alguém que ele também conhecera pela internet, se havia um preconceito em mim, era à respeito das pessoas que frequentavam chats. Deprimentes, vulgares, inconsequêntes, problemáticos, irreais eram as palavras reservadas para elas e para esse "mundo". Mas a vida ensina...

Passados uns dias, surgiu em mim a curiosidade quase científica em conhecer esse mundo. Para mim conhecer as pessoas que o frequentavam era algo impensável visto que na minha cabeça nada do que se apresentava alí era real. À princípio, e durante um longo tempo, essa curiosidade para mim nada tinha à ver com o texto lido, ele até mesmo já havia saído dos meus pensamentos. Eu continuava a ser cética e preconceituosa em relação aos chats e seus frequentadores e, cética e vacinada em relação à palavra amor que havia, realmente se transformado em apenas, mais uma palavra no dicionário.

Lá fui eu visitar um chat. Fria, calculista, cética, intrasnponível, totalmente científica tentando entender o que levava tais pessoas àquelas salas e que tais pessoas eram levadas àquelas salas e, totalmente desprovida de qualquer dado de característica, exceto o gênero. O chat virou um laboratório fascinante para mim. As horas passavam sem que eu me desse conta e eu vidrada conversava sobre tudo, amor, amizade, sexo, dor, prazer, idade, envelhecimento, morte, profissões, política, filosofia, viagens, filmes, músicas, sempre super comprometida em ser o mais verdadeira possível em minhas opniões e falas mas sem expor qualquer informação além, sobre mim. Me fascinava ver até onde as pessoas íam, tentar descobrir o que se apresentava de real ou não. Virou praticamente um vício. Muitos homens se fascinavam, pediam pra tc mais vezes, imploravam por um msn, outros claro, só queriam dar uma "saidinha" mas não, eu apensa tc uma vez com cada pessoa sem disponibilizar a menor possibilidade de um vínculo. Minhas salas eram apenas as de faixa etária, jamais sequer de região. E lá ía eu... seguindo, dia à dia, aprendendo um pouco com aquelas pessoas, ainda que fosse aprendendo a descartar o que em nada acrescenta. rs

Assim eu fui até que a vida aprontou uma das suas e me deu uma rasteira. Resolvi entrar junto com um "amigo" e não sei como, ele me convenceu a entrar numa sala de Brasília. Como sempre trocentas pessoas se "apresentaram", dentre elas, tc com um menino super gracinha que estava meio mal e nem de Brasília era. Uma conversa super agradável, apesar do menino ser bem mais novinho e isso o colocar completamente fora dos meus pré-requesitos pra uma conversa. E troquei farpas com um outro alguém aqui de Brasília. Esse sim, completamente fora dos meus requisitos pra uma conversa. Ainda pior, completamente dentro dos padrões que eliminavam qualquer possibilidade de conversa. Ele era de Brasília e buscava conhecer alguém real. Mas enquanto eu trocava farpas por alguns breves minutos, o meu "amigo" teve a infeliz ou feliz idéia de passar meu msn para ele.

Recebi o convite e lá ficou, muito claro pra mim que eu jamais o aceitaria, entretanto, algo me fez não deletá-lo. E lá ficou por meses aquela telinha se abrindo toda vez que eu conectava e eu sempre clicando no "decidir depois". Até que um dia, entrei e surpreendentemente aquela telinha não estava mais alí e sim, aquele nome no topo da minha lista. Gelei, eu tinha feito algo errado, clicado sem perceber..." Pra quê deixei aquela tela alí por tanto tempo ao invés de recusar de cara? Agora teria que deletá-lo." Enquanto esse pensamento passava pela minha cabeça em fração de segundos, a pessoinha do outro lado se manifestou com um "oi", e aí congelei. "Responder ou não?" Respondi antipaticamente e mais algumas farpas foram trocadas em poucos minutos até nos despedirmos com um pedido dele para uma nova conversa. Eu deixei aquele homem ir com a certeza de deletá-lo assim que ele estivesse offline mas, ainda mais uma vez, não o fiz. Além da foto preto e branca de seus lindos olhos algo mais me fascinav. Mesmo entre trocas de farpas aquele homem havia conseguido me prender por algum motivo. "A curiosidade matou o gato." Senti medo. Não do que ele pudesse fazer comigo, não de que ele fosse um psicopata mas senti medo por não conseguir deletá-lo.

E mais uma vez, lá estava ele antes que eu conseguisse deletá-lo. Mais alguns poucos minutos de uma conversa ainda ríspida mas sem tantas farpas. E então, descobri que era o modo como ele me respondia de forma sagaz e à altura mas sem jamais ser grosseiro que estava me fascinando. Então decidi. Ele não sabe absolutamente nada sobre mim além da cidade onde moro, não oferece perigo. É inteligente, sagaz e tem um papo pra lá de interessante. Decidi deixá-lo ficar. Logo nos "esbarramos" um dia, tarde da noite enquanto eu tc com um amigo já mais pra lá do que pra cá. Eu não estava com paciência para tc com ele mas rapidamente ele desviou minha atenção totalmente da outra conversa para ele a ponto do meu amigo perceber e se chatear. Fiz inúmeras tentativas de ir dormir mas estava completamente envolvida pela sua conversa e, de verdade, não me importaria em virar a noite tc com ele mesmo tendo que acordar cedo no dia seguinte. Foi o que praticamente aconteceu porque fomos madrugada adentro. A conversa só se encerrou quando ele disse "não vou mais te prender aqui". E ele, sem perceber, usou a palavra certa porque realmente ele me "dominou" durante a conversa.


A conversa foi inesquecível. Me abri pra ele de uma forma que não me lembro ter feito antes com quer quer que seja mas foi "fácil", ele soube me conduzir e jamais me conheceria mesmo. Apesar de ter mergulhado tanto nenhum dado que desse a possibilidade dele saber quem eu era algum dia foi oferecido à ele. Ao contrário, neguei todos os pedidos dele mesmo com ele atendendo a todos os meus, até mesmo o de vê-lo por foto. O pedido de nos conhecermos negado imediatamente à princípio, ao final da conversa foi posto ainda mais uma vez em forma de desejo e depois de saber que ele tinha inúmeros compromissos  no dia seguinte abri uma possibilidade para a tal data que ele não podia. O pedido seguinte foi o de um número de telefone para que ele pudesse entrar em contato comigo dizendo ter desistido de seus compromissos para me ver. Achei original a forma dele tentar conseguir meu número e impossível a possibilidade dele desistir dos compromissos por saber do que se tratava. Ri, neguei, disse que ele me encontraria online se desistisse e a conversa se encerrou. Fui dormir, agora sim, encantada por aquele homem, por seu jeito, sua conversa, sua forma de pensar. Sua foto não havia me dito nada. Encantada e aterrorizada por tal encanto.


O dia seguinte chegou e, surpreendentemente, desde que acordei até a hora em que saí de casa para encontrar com amigos, desejei que aquele me dissesse ter desistido de seus compromissos. Saí decepcionada. Eu já não queria mais ir para onde estava indo, queria estar com aquele desonhecido. Fui e parando o carro no local do aniversário ouvi o barulho que tanto esperei o dia todo. Sorri espontâneamente, um sorriso gigante e catei meu cel pra conectar ao msn. Droga, não estava conectanto. Entrei e não desisti. Falei com as pessoas e entao consegui ler sua msg me perguntando se eu ainda o buscaria ou se já estava tarde. Minha vontade foi de sair correndo ao encontro dele mas eu não podia, tinha acabado de ficar. Então, pedi um tempo a ele, avisei aos amigos que logo sairia e comecei a tomar conta da hora. Fui mas me atrasei e senti medo que ele não mais estivesse lá esperando por mim. Mas ao chegar ele estava lá, em pé a me esperar. Ri da situação, ri de mim, me deu vontade de ir embora e, mais uma vez, ele foi mais rápido se aproximando do carro quase como se pudesse ler meus pensamentos. Saímos do carro, paramos em algum lugar para conversarmos um pouco até decidirmos para onde irmos e, nos perdemos mais uma vez no tempo. Eu, me perdi no seu olhar, nas suas palavras, na sua conversa e quando nos demos conta um outro dia estava quase amanhecendo. Mas entre um dia e outro, em plena madrugada, como se não houvesse mais ninguém alí, ele me beijou e alí estava o meu Príncipe da Marés.


Não importa até onde a gente vai, não importa que rumo terá essa história, o que sei é que ele é meu Príncipe das Marés e, eu sei que de certa forma, essa história começou alí em "As Histórias de Emília". E não me canso de dizer, obrigada Emíliana pelo meu Príncipe das Marés! Quem sabe um dia não encontro mais do que um Príncipe das Marés...



"As chances de você conhecer a sua metade em um chat na internet?Se essa pergunta me fosse feita há um ano atrás eu diria,zero.Mas hoje eu respondo:todas.E possivelmente pode acontecer algo mágico como aconteceu conosco.Mesmo quem não acredite.Acho que as chances de que algo assim aconteça com quem não acredite sejam maiores ainda,como eu.Nunca me senti tão feliz em minha vida.Todos os dias quando acordo e passo pelo "nosso" computador,beijo a telinha e digo baixinho:Obrigada mundo cibernético por ter me trazido o meu Principe das Marés."
Trecho retirado de: As Histórias de Emília - Amor Virtual (3) O Príncipe das Marés 

PS:  E hoje faz exatamente 1 mês que recebi esse beijo. E "quanto tempo dura o que é eterno? às vezes, apenas um segundo."

4 comentários:

  1. O que dizer?Lindo!Eu chorei de emoção ao ler tua historia,teu recomeço,tua reconstrução,tua descoberta,a porta em que vc abriu para a tua nova vida,e que de alguma maneira eu pude te ajudar.
    Fique certa Camila de uma coisa,mesmo que essa historia de amor não dê certo,vc se deu a oportunidade de viver.
    Viver intensamente sem medo e sem culpa.
    E não há nada melhor do que viver de verdade.
    Estou,aqui,torcendo por vc,em TODOS os sentidos!
    E o teu texto,teve um grande peso na minha decisão de hoje.
    Obrigada de coração!
    Jamais esquecerei tuas palavras e te levo, aqui, no meu peito.
    Mil beijos meu anjo.
    (E que o teu Príncipe das Mares te leve a navegar por outros mares...o da alegria,da emoção,do amor!)

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  2. Pois é! O mundo, de vez em quando, nos prepara 'armadilhas' sensacionais, não é?! Que a história, se não perfeita, seja sempre de muita felicidade e que teu Príncipe das Marés te faça descobrir sempre novos mares e novos sonhos.

    Sobre a Emiliana, você disse exatamente o que as pessoas deveriam enxergar, não somente no espaço virtual que ela mantém com tanto zelo, mas também na pessoa que ela é.

    Até!

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  3. Obrigada Emiliana, de coração! Agora quem ficou emocionada fui eu ao ler teu comentário e ao saber que minha história foi útil pra te manter entre nós.
    Beijos querida e boa sorte no teu recomeço.

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  4. Obrigada Barbara! Seja sempre muito bem vinda por aqui.
    Té!

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