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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Recebendo Mary Paiva em "Bullyng"

A Mary é minha amiga de infância, dessas de mais de 20 anos de amizade. Nos perdemos em alguns momentos da vida mas sempre nos reencontramos algum tempo depois e a amizade permanece alí, intacta.
Ao longo de todos esses anos, vivenciei muitos desses períodos difíceis vividos por ela. Ainda criança, não me dava muito bem conta de toda dimensão do problema mas sempre estive ao lado dela a aceitando como ela se apresentava e enxergando talvez um pouco além das outras crianças.
Nos perdemos um pouco em determinado momento e quando a reencontrei já éramos mulheres. E a Mary tinha se transformado numa mulher segura, cheia de opnião e que encarava a vida e seus pepinos de frente, não era mais uma menina acanhada. Me alegrei por vê-la de tal maneira.
Agora, anos depois, pensando há tempos em quem poderia escrever um texto sobre um tema tão delicado pra mim, não tive a menor dúvida, ela! Mais uma vez, se uperando, ela teve a capacidade de falar sobre tudo o que passou de forma clara, sentida sim mas ainda assim, divertida. Parabéns pelo texto e acima de tudo pela superação minha amiga. E muito obrigada por dividir um tanto dessa sua história aqui. 
Apresento à vocês, um pouco da história dessa minha amiga, escrita por ela mesmo para que possamos refletir.


Bullyng


Bem... Quando minha amiga camila me pediu para escrever sobre bullyng, eu não sabia bem por onde começar. Sofri estes abusos que hoje tem nome (mas na minha época  nao tinha e era mais comum culpar as Vitimas de bullyng do que punir os agressores).

Levei uns dias para iniciar o texto que aqui está.

Quando pequena, era bastante franzina, muito delicadinha e extremamente tímida (com quem nao conhecia, pq dentro de casa, meu apelido era "vitrolinha").


Pra vocês terem uma ideia do quão tímida eu era, me lembro bem de um episódio vivido, em um tradicional colégio carioca:


Eu tinha passado do CA para a Primeira série. Com isso, eu havia mudado de professores e pior, de bloco: além de não saber o nome das pessoas, não sabia como circular ali. Minha timidez era tamanha que eu não conseguia iniciar um diálogo, um simples "Oi" saía "pra dentro" (não era por medo das pessoas, era por vergonha mesmo).  Fui para a escola de manhã cedo, conheci a turma (bastante coleguinhas novos), a professora, e o local. Tivemos aulas, passou o recreio e eu, por vergonha, não fui ao banheiro. Não fiz xixi. No tempo seguinte era aula de Artes, num bloco novo (de novo!!!) e eu não sabia o nome e o lugar.... e quase fazendo Xixi nas calças. Pois é. No meio da aula, eu estava no dilema - falo com a professora ou não falo, falo ou não falo - não consegui falar. Fiz xixi em sala de aula, na cadeira, como se ninguém estivesse ali. Este dia foi inesquecível (que merda).


Apesar de ser tímida, acho que eu não era muito de observar. Como uma boa aquariana, minha cabeça era um mundo à parte - e bem divertido - e eu "viajava" nas aulas. Sempre tive dificuldade em "focar", em prestar atenção nas coisas. Até essa época, tinha boa coordenação motora, era boa em Português, mas um fiasco em matemática.


Mesmo com esse nível de timidez, eu mudei um bocado de escola. Meu pai foi transferido para o Nordeste, onde morei por 2 anos. Voltei com um super sotaque para o RIO para a mesma escola tradicional, na mesma turma. Como o ensino nos melhores colégios do Nordeste é mais fraco que aqui no RIo, tive muita dificuldade em acompanhar o ritmo da escola nesse retorno. Pra completar, creio que pelo forte sotaque, eu não tive boa receptividade pela turma que eu estudei desde o CA. Fui encaminhada pelo proprio colegio para uma outra escola, no mesmo bairro, também com bom nível de ensino mas mais fraco que este. OK. Lá vou eu mudar de escola outra vez.


O clima nesse novo colégio era muito diferente do tradicionalismo do anterior. Era tudo mais descontraído.
(Nesse tempo eu tinha dado uma melhorada na minha timidez pois, percebi que daquele jeito não ia chegar a lugar algum (se não consegui ir ao banheiro, imagina! hahaaha)


A turma era muito divertida, fiz amigos com certa facilidade e, como toda escola tinha, fiz alguns "inimigos" também - coloco entre aspas pois na verdade, ninguem queria matar ninguem ali! Tinhamos limites. Era só um povo que enchia o saco. Eu andava mais com os meninos do que com as meninas, eu só tinha 2 amigas e na verdade, o "povo que enchia o saco" eram as meninas patricinhas - hahahhahhahaa ;P
Vez ou outra, rolavam uns "arranca-rabos", me envolvi em algumas brigas e, obviamente, parei na coordenação algumas vezes. Mas era coisa de puxão de cabelo em sala de aula, sabe. Coisa de criança.


3 anos neste colégio, minha mãe decidiu que era hora de voltar ao bom e velho tradicional...... E lá fui eu ..... de novo... pra turma que não me me queria "suas coleguinhas estão todas lá! Vc vai ter sua turma de novo!"


Sempre tive tendência ao desapego, e sempre achei que as coisas boas deveriam prevalecer. Inclusive na minha memoria: jamais deletei coisas dela, mas fazia questão de manter as boas por cima das ruins. Eu tentava encarar as mudanças como um novo recomeço, como uma nova chance, e no maior espírito do "vai ser legal" "que bom"... Esperava o melhor, numa tentativa de "Positive Vibes" para a novidade.


Aí é q efetivamente entramos na questão. 


Nesse vai-e-vem de escolas, eu já tava com uns 12 anos. Mas continuava magérrima, sem o menor corpo, naquela fase que a gente espicha desordenadamente. Era apenas joelho, nariz e orelha. Lá fui eu... para o matadouro. Fiquei numa turma diferente no turno da tarde por que não havia ainda vaga para o turno da manha. Não era a "minha turma", e eles também nao fizeram a MENOR questão que fosse. Fiquei eu sozinha nessa. Ninguem falava comigo, quando eu tentava falar, viravam a cara. Foram uns 2 meses assim, "autista". Daí, numa dinâmica em sala de aula, fomos separados em grupos, e os coleguinhas tinham debater sobre e descrever 1 pessoa no grupo. Todos falavam sobre todos na sala, pela voz dos grupos. Para a minha surpresa, fui classificada como "introspectiva , lúdica e inteligente".


Me lembro que reagi MAL à classificação. Disse que eu não era introspectiva, que ninguém ali me tratava direito ou conversava comigo.
A professora me culpou pela atitude da turma, e foi a primeira vez que eu ouvi que deveria prestar atenção no que EU fazia. Aquilo me deu um novo horizonte. Um horizonte de que o Mea Culpa deve ser colocado em questão, mas entendi também que o mundo não era Justo.


Infelizmente, eu não sei apontar qual foi o CLIQUE na mudança de comportamento daí pra frente desta turma. Lembro que tentei me chegar aos meninos, que eu sempre fui mais ligada mesmo: 1º aos nerds que não fediam nem cheiravam, e depois aos bagunceiros - mas o nivel de maldade e brincadeira destes era Too much pra mim. Sempre fui da bagunça, mas nunca faltei com respeito aos professores ou atrapalhava a aula deliberadamente. Também nunca me juntei com ninguem pra sacanear e humilhar outra pessoa sozinha (eles faziam com os nerds). As meninas me odiavam, diziam que eu era ridicula, feia, magricela. Que elas tinham peito, corpo, e eu não, que eu era lisa - coisa de pré-aborrescente chato pra cacete. E eu engolia tudo. Afinal, mentindo elas nao estavam. E, elas eram bem bonitinhas, se olhar as fotos de turma, eram sim. Patricinhas, princesinhas. Eu NUNCA tive esse perfil e nessa época do meu desenvolvimento corporal, eu era mesmo o "ó".


Só sei que a partir desse ponto, eu passei a ser perseguida pela turma toda. Os meninos me humilhavam em sala de aula, me tiravam da cadeira (eu era levinha) roubavam minhas canetas, grudavam meleca nas minhas provas. As meninas me sacaneavam até dizer chega, pois eu não era tão desenvolvida e bela como elas..  Os meninos entraram nessa "todos contra Mary" - afinal os hormônios estavam à toda, e eu é que não ia pegar mesmo ninguém ali.
Da agressão verbal - que eu aguentava BEM e calada (mas chorava todos os dias em casa), passaram para a agressão física.


Todos os dias alguem me chutava, me chamava pra porrada, puxava meu cabelo, sumia com minhas coisas, me carregava por cima dos outros. É a merda de ser levinha.
Aguentei bravamente, por meses, chegando roxa em casa todos os dias, machucada, chorando. À essa altura, minha mãe já nao tinha mais o que fazer se nao viver na coordenação de SOE e SOP da escola, implorando que eu fosse remanejada de turma pois a situação estava insustentável. Como os outros da turma eram filhos de globais e gente "da sociedade", a errada tinha de ser eu - a vítima - pois a escola nao podia fazer nada.  As turmas estavam cheias, o meio do ano nao chegava nunca e eu não conseguia trocar para outro turno.


Bem. Se ninguem conseguia fazer algo por mim, decidi fazer eu mesma.
Era "bater ou morrer". Passei a cair na porrada, com muita criatividade e violência, para sobreviver em sala de aula, aos recreios e saídas da escola.
Batia muito. Todo dia tinha alguem kerendo me matar. Que viessem todos, eu tinha virado o "Rambo", cega de raiva. (podem rir, pq eu era um graveto).


Aí....................... Eu, que enquanto vítima era CULPADA, virei Culpada MESMO.  "Desajustada, violenta, má elemento" - era essa a minha classificação no SOE. Minha mãe fez uma carta gigantesca para os donos do colégio, reclamando da "psicopedagoga"da escola, por ter deixado chegar à esse nivel tendo sido sinalizada Inumeras vezes (por ela, por mim, pelos professores, inspetores - todo o mundo via aquilo!!!).
A "psicopedagoga" foi obviamente despedida. Me recolocaram rapidinho em outra turma, no turno da manha (eu acho) - que também me odiava - hahaha - mas agora tinham motivo, afinal era uma laranja podre na cesta deles.


Notas? Provas? o que era isso??  eu nem sei.
Pra completar, ao longo deste mesmo ano, meus pais se separaram num divorcio litigioso, onde meu pai simplesmente saiu das nossas vidas como se solteiro fosse, jamais pagou pensão para os filhos (4 filhos), e minha mãe tentou retornar ao mercado de trabalho, estando fora por 18 anos. Necessidade? Problemas? Não... eu tinha poucos pra idade. Obviamente, perdi o ano. Repeti a 6ª serie. Meu bloqueio em matemática era quase total, minha média geral anual foi 0.5 ou 0.8 se não me engano.


* * *


REPETENTE. eu tinha me tornado uma repetente.
Mudança? Mais uma, menos uma.... Here i go. Nada podia ser pior do que aquele ano.
E nao foi mesmo. Foi ótimo. Ainda no mesmo colégio, entrei numa turma mais maleável, peguei uma otima professora de matematica - entrei com reforço em casa desde o começo do ano e so tirei notas boas. Eu refiz o ano, como se nunca tivesse visto as materias..... incrivel isso, mesmo as que eu nao ia mal, como biologia (adorava).


A vida seguiu.
Eu quase repeti novamente a 8ª série, nao conseguia mesmo acompanhar o ritmo das aulas e, em paralelo, voltei a ter problemas com a turma: 98% deles, jovens sustentados pelos pais e movidos pelo prazer, tinha se tornado usuário de maconha. E eu sempre fui careta, não aceitava aquilo. Minha praia era cigarro comum (comecei a fumar aos 13) e ponto final.


* * *


As trevas ficaram na memoria, mas os aprendizados tentei levar pra vida toda.
Só com uns 28, fui procurar psicólogo. Fiz terapia por 3 anos e pretendo voltar assim que puder. Através deste processo é que consegui reparar mais em mim, descobrir coisas a meu respeito, me entender melhor e sedimentar melhor os conceitos que gosto dos que realmente não gosto (tipo, atitudes - minhas ou nao - que aprovo ou desaprovo), para então passar efetivamente a ME POSICIONAR diante das situações. Eu fazia, mas metendo um pouco os pés pelas mãos.
Aprendi que parar minha cabeça aquariana é impossível. Isso aqui é uma máquina de pensar besteiras, inventar moda. Às vezes me sinto com  um computador dentro dela, onde existem mil janelas abertas, cada uma rodando aplicativos e programas diferentes.

Meu lado lúdico é meu melhor amigo, é através dele que faço limonadas e caipirinhas dos limões que a vida insiste em me oferecer.


Me tornei uma pessoa muito independente (às vezes isso é bom, às vezes não), e resiliente. Como diria capitão Nascimento, "sou caveira" pra cacete.
Desenvolvi um senso critico terrível, para comigo mesma e com o mundo.


Tento manter o bom-senso; um bom 'senso de justiça'; ajudar quem está precisando, da forma que eu puder.
Procuro valorizar quem deve ser valorizado e por uma condição diferente (seja esta qual for) não é.
Trato de igual forma todos com quem trabalho, da mulher do café ao presidente da empresa. Acho que isso é um mínimo de educação e respeito ao próximo.


Procuro manter uma visão realista das coisas, tentando não colocar minhas emoções na hora de avaliar e analisar situações e riscos.


Gosto de entrar nos cenários da vida (pessoais e profissionais) pra agregar valor às coisas, às relações, e jamais pra sugar.
Sou muito dedicada e leal - coisa que às vezes confundem com "idiota"...


Infelizmente, minha tendência ao desapego não se manteve, hoje em dia eu calculo bastante meus passos, fiquei um pouco medrosa - essa parte eu lamento muito (e isso me incomoda, engraçado ne? rs).


Aprendi que as coisas acontecem mesmo no tempo delas, e não quando a gente quer. Paciência e tentar segurar a ansiedade são peças fundamentais nesse jogo. Não tenho religião certa (acredito em muitas coisas e também critico muitas coisas). Por vezes meu refúgio foi e sempre será a musica: Rock n roll e Metal "eclético" (como costumo definir) são meus companheiros desde que nasci. Com 4 guitarristas na familia (incluindo minha mãe) fui criada em ensaios e "bagunça rock n roll" - um mundo completamente diferente de qualquer um que tenha estudado comigo (e em qualquer colégio, ne! ;] )


Aos 16, comecei a trabalhar porque achava que deveria ajudar em casa, mudei de área de trabalho a doidado, o que me deu uma boa visão do todo, em termos de   estrutura corporativa. Me formei em jornalismo, fui casada duas vezes, tenho duas gatinhas que são minhas filhas. Atualmente trabalho na área de marketing interno e eventos internos, fazendo parte do lado estratégico do RH.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Recebendo Drika Valério em "Vestido de Noiva Inclusivo"

 Conheci a Drika através de um grupo na internet criado por ela para divulgar seu projeto que achei interessante "de cara". Mas foi aqui, no meu blog, lendo o texto que apresento abaixo à vocês que tive a noção exata da dimensão do projeto, me apaixonei por ele e passei a admirar a Drika. É incrível a preocupação dela conosco, deficientes, o carinho, o cuidado e a atenção.
Drika, obrigada pelo texto, obrigada pelo projeto lindo e obrigada por me convidar a colaborar com ele. Estarei aqui para o que precisar.


Vestido de Noiva Inclusivo


Cena da novela Viver a Vida. Foto retirada da internet.


O PROJETO "VESTIDO DE NOIVA INCLUSIVO"

Realizado para a disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso do IESB Prevê, Bauru-SP, este projeto visa ter um alcance muito maior do que apenas vestidos. O tema proposto é para ganhar visibilidade pois um projeto com alguma denominação apenas de indumentária para cadeirantes não despertaria tanta curiosidade como este, pois com este tema já surgiram perguntas que nos fazem pensar em como a mente do cidadão é "educada" pela sociedade, perguntas como: -Cadeirantes se casam?, na qual me deparei com preconceitos até subliminares aos olhares para deficientes.

Portanto o tema proposto visa abrir a mente, incluir gente, e esclarecer que deficiencia não é doença e nem "defeito", mas apenas uma limitação.



PORQUE PENSEI NESTE TEMA PARA O MEU PROJETO "VESTIDO DE NOIVA INCLUSIVO"

Um trabalho de conclusão de curso, na minha opnião, precisa ser algo que valha todos os anos estudados e não apenas mais um trabalho pra passar de ano.

Pensando assim, quase enlouqueci pensando em um turbilhão de coisas pra colocar em prática e devido ao meu fascínio por moda, desenhos de croquis e costura, decidi que faria algo relacionado com vestidos de noivas, pois estava bem na época do casamento real, o que me deixou ainda mais encantada com esse tema do casamento.

Porém trabalhar somente com vestidos de noiva que é um tema muito vago e ainda não era o suficiente, queria algo mais desafiador, diferente, chamativo e principalmente construtivo, que trouxesse algo de bom pra alguém e foi então que um amigo comentou sugerindo que fizesse algo voltado para a inclusão! Associei os 2 assuntos e surgiu o tema "Vestido de noiva inclusivo" que na minha cabeça já cabia desde o início da idéia a indumentária toda e não só os vestidos propriamente ditos.



COMO AS PESSOAS OLHAM PARA O MEU PROJETO"VESTIDO DE NOIVA INCLUSIVO"

O retorno que estou tendo com este trabalho, que esta entrando na parte prática agora, principalmente por parte de cadeirantes, está sendo incrível! O contato com pessoas com restrição de movimentos, saber delas o que faz a diferença, o que é melhor, o que mais incomoda, o que é legal ou não e conhecer suas histórias, não tem preço! Digo que estou apaixonada por cadeirantes! Rs. É incrível saber que pessoas que precisam tanto de coisas simples como alguém que se importe com as roupas que eles usam no dia a dia e porque não em eventos como casamentos, é uma coisa incrível e indescritível. Recebo muitas sugestões, pessoas me mandando e-mail querendo saber mais sobre o projeto, dando opiniões, críticas e tudo mais, é uma galera muito gente boa que com certeza vai me ajudar até o fim do projeto.





O QUE ESPERO CONSEGUIR COM O MEU PROJETO "VESTIDO DE NOIVA INCLUSIVO"

Uma grande visibilidade do projeto e que as pessoas passem a ver deficiente como pessoa como qualquer outra, a tratar de igual pra igual, respeitando suas limitações, claro e comercialmente, que setores envolvidos comecem a cogitar possibilidades de inclusão no planejamento e fabricação de suas peças.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Recebendo Núzia Brum em "As vezes me pergunto os porquês..."

Núzia... o que dizer?! Nenhuma palavra pode traduzir o significado dela pra mim, nenhum sentimento traduz o que sinto por ela. Amiga? Irmã? Muito mais do que isso! Quantas brigas horríveis já tivemos, quantas palavras duras já trocamos mas nunca, jamais, deixamos uma a outra. Foi ela quem primeiro me enxergou, foi ela quem primeiro brigou por mim e depois me ensinou a brigar. Brigou comigo também, gritou, esperniou mas nunca me deixou. Quantas noites sem dormir enxugando lágrimas uma da outra, quantas perdas compartilhadas, quantas vitórias comemoradas lado a lado... isso não há tempo nem distância que apague.
Durante anos brincamos nos denominando "Criatura e Criadora", respectivamente, eu e ela, hoje, falando sério, reconheço em mim muitos traços dela. Sinto sua falta ao meu lado dia a dia e sinto falta de poder amapará-la nos momentos difíceis.
Muito obrigada Núzia, por todos esses anos na minha vida, me ajudando a construir a minha história e por aceitar meu convite por "livre e espontânea pressão".  E à vocês, entrego o texto dela que sempre teve o poder de me emocionar com suas palavras ditas e escritas e que, por tantas vezes me "obrigou" a escrever. Hoje fui eu quem a "obriguei" meio "sem querer" mas vocês nem vão perceber...rs

As vezes me pergunto os porquês...



Às vezes me pergunto porquês “Deus” tirou tanto de mim. Começou levando a minha avó para sempre, depois meus mais queridos amigos foram seguir suas vidas longe, não faz muito tempo também levou a minha mãe para sempre; sobrando só eu e minha tia. Seria suficiente, porque ela é maravilhosa, se todos esses também não fizessem uma falta enorme.

É claro que quanto à morte não há mesmo o q fazer, me conformar é a melhor saída. E os amigos, nunca o deixarão de ser, ainda que longe estejam. Mas, eu sinto muita falta. Falta de tê-los sempre por perto, presente emocional e fisicamente em minha vida. Sinto saudade de viver naquele mundo perfeito e confortável. Eu era feliz, realmente, e não sabia.

Hoje, as escolhas na vida, o ritmo corrido, a falta de tempo e de grana não me permite estar com as pessoas que contribuíram pra que eu seja quem sou hoje. Não abri mão deles por escolha, a vida é que tem de suas artimanhas.

Viver é morrer todo dia, até que um dia não se vive mais. E era tão mais fácil viver e morrer cercada da certeza da presença, do abraço e do riso. Era mais fácil entender que as coisas tinham fim, mas apenas até o dia seguinte.

Sei que hoje também tenho bons amigos ao meu lado, mas eu queria que fossem todos. Mas, se cada pássaro vai construir seu ninho em um galho, assim também são os amigos. As distâncias geográficas são mera ilusão, no coração é tudo perto. Todos vivem felizes nesse condomínio feito de músculo e sangue, sístole e diástole. Eu às vezes só queria entrar dentro dele e encontrar cada um que se foi de um jeito ou de outro, novamente. Pra abraçar. Abraçar tão forte quanto fosse possível. Abraçar sem dizer nada, pois o eu te amo vem gravado na alma. E me sentir protegida e segura novamente. Eu voltaria renovada.

As vezes me pergunto...

Na maioria das vezes tenho certeza. Os amigos que fiz e ficaram no condomínio do coração, são a força que vejo nos olhos da minha tia, a doçura em suas palavras, o riso em abraço. Eu tenho todos eles na minha tia. Minha amiga e família. E não posso não me ver abençoada. Tenho todos eles numa só e ainda dentro do peito.

Mas, fazem falta. Ah se fazem! Enchem a casa, fazem barulho. Criticam seus gostos e suas idéias, mas não te abandonam por nada no mundo. Tenho amigas que estão em outro estado, amigos em outros países. Mas, se eu pudesse, traria todos de volta e colocava cada um em um quarto, junto comigo, minha tia e meus bichos. Fechava as portas, mas não trancava. Era só pra não entrar um vento frio e apagar o fogo do café. Mandava fazer uma placa escrito: Meu Mundo Perfeito, pra botar no portão. Todos seriam bem vindos, mas esses sempre serão especiais.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Recebendo Ly Mello em "Joanna"

Eu estava para escrever um texto sobre o tema quando vi uma postagem da Ly no Facebook falando exatamente desta indignação... Não que eu ache, de forma alguma, que não devemos proteger nossos animais e, sei, que nem a Ly. A questão pra mim é defender quem não pode se defender por conta própria e a indignação é, não entender porque a mobilização é tão grande quando se trata de um animalzinho e tão menor quando se trata de uma criança. Eu poderia escrever páginas e páginas sobre a minha indignação mas quando olhei a postagem da Ly, não vi alí uma mulher como eu se colocando, vi uma mãe e imaginei o quão maior não deve ser a indignação de alguém que tem um bem maior como o que a Cris (mãe da Joanna) perdeu. Não estava errada, acredito que o texto da Ly possa fazer com que além de pensar sintamos um pouco da dor, eu senti. Ly mais que uma mãe é também amiga da mãe que perdeu sua pequena Joanna.
Obrigada Ly por se dispor a falar de um tema tão doído pra você. Obrigada pela reflexão que você nos proporciona, indo além do racional.


Joanna



Hoje estou fugindo um pouco do que costumo falar no meu blog, e por isso, peço que me dêem um desconto para que não seja mal interpretada em poucas linhas.
Nos últimos dias temos muito ouvido em maus tratos contra animais, coisa que sou completamente contra, mas me causou um espanto grande ao ler uns dias atrás, que a petição pública pedindo a punição da “enfermeira” (se é que podemos chamar de enfermeira, alguém capaz de tirar a vida de um ser), constava com mais de 235 mil assinaturas, enquanto a petição pública da pequena Joanna Marcenal, que faleceu vítima de maus tratos, com muita luta, atualmente consta com 6.964 assinaturas.
Qual a motivação das pessoas? Joanna era uma criança de 5 anos que foi torturada durante dias, amarrada, sofrendo queimaduras e longe das pessoas que mais a amavam e em quem ela confiava. Confiava tanto, que mesmo em estado grave, ao ser tocada por sua mãe na UTI, seu corpinho muito debilitado reagia aumentando a temperatura. Confiava tanto que esperou sua mãe chegar para partir, mas não sem antes dar um adeus.
Toda vez que leio o blog do Caso Joanna, choro demais, não consigo dormir. Tenho vontade de abraçar meus filhos e proteger desse mundo. Sinto a dor da Cris, mãe da Joanna. Sinto a dor de Ana Carolina, mãe de Isabella. Sinto a dor de tantas mães desconhecidas, e peço à Deus que jamais me deixe ser uma delas.
Um caso precisa ter repercussão nacional para que as pessoas clamem por justiça? Quantas crianças e animais estão sofrendo neste momento, e nós podemos ajudar, mas não nos mobilizamos?
Qual nosso papel na sociedade? É o que me pergunto sempre, seja num momento como esse, seja quando vejo alguém ultrapassar um sinal vermelho, não respeitar vagas preferencias, faixas de pedrestes, filas.
Conheçam a história de Joanna => http://casojoannamarcenal.blogspot.com/

Nos ajudem assinando a petição pública.
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N4961

"Nada pode apagar a passagem da Joanna neste mundo. Nem a dor de sua perda. Nem o amor que plantou em sua mãe.
Nada pode trazê-la de volta. Nada.
Mas podemos lutar para que outras Joannas não sejam vítimas de uma injustiça.
Todos os dias."

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Recebendo Viviane Pereira em "Experiências de Salas de Bate Papo"

Viviane é uma amiga muito querida de muitos anos, mais de 10. E foi ela a primeira deficiente com quem convivi e foi ela quem me apresentou um mundo de pessoas com deficiências, iguais a mim. E foi com ela que em muitos pontos só então aprendi a lidar com a minha deficiência. E foi com ela, já aos vinte e poucos anos que levei meus primeiros tombos na cadeira, que aprendi a cair e me levantar, que aprendi a "me dirigir", que aprendi a me enxergar como sou, que aprendi a dançar e que enfim, ganhei asas pra voar.
À essa amiga devo muito e ela sempre tem mais a me ensinar. Deixo agora que compartilhem um pouquinho da vivência desta que tem tanto o que contar. E à você Vivi, meu muito obrigada por toda a nossa história nesses mais de 10 anos e por esse texto pra nos fazer pensar.






Eu quero contar um pouco sobre a minha experiência em conhecer pessoas na sala de bate papo para vocês. Eu tenho história desde muito engraçadas até as chatas.
Eu passei a freqüentar essas salas para fazer um estudo e saber como seria para as outras pessoas conhecer uma pessoa com deficiência sem saber que ela é deficiente. Eu me surpreendi com a aceitação da galera.  Primeiro eu entavai nas salas de bate papo e não me identificava de cara como uma pessoa com deficiência. Eu queria conhecer as pessoas pela conversa primeiro e ver se valeria a pena continuar o papo ou não. Nestes casos procurei mostrar sempre a pessoa antes da deficiência e deu certo.
A maioria das pessoas que me interessava pelo papo, não se importava com a minha deficiência, explicava que cada pessoa tinha uma deficiência física e que a minha se apresentava pelo uso de um aparelho ortopédico e uma muleta. Elas diziam que isso não era problema.  Fiz muitas amizades e tive até alguns namoros através destas salas, mas o que me interessou foi quantificar o número de pessoas que achava natural a questão da deficiência.
A maioria  destas pessoas nunca tinham nem sequer conhecido uma pessoa com deficiência e procuravam uma pessoa para bater um papo agradável e leve para descontrair.  Lógico que encontrava algumas pessoas interessadas em apenas sexo e essas pessoas nem prosseguia com o papo, elas eram muito diretas neste assunto.
O importante para descobrir se a pessoa te atrai ou não, é conhecer a pessoa com uma boa conversa e motivar essa pessoa a te conhecer pessoalmente. Quando descobrem  que  a pessoa com deficiência não é nenhum E.T, ou seja, essas pessoas saem de casa, trabalham, dançam e namoram como qualquer outra pessoa disposta a viver a vida, tudo se tornava mais leve. Muitas pessoas comentavam que outras pessoas sem deficiência não tinham tanta disposição para a vida e que isso fazia diferença. Eu tenho um grande amigo que conheci na internet, o Fábio, ele dizia que o que nos uniu foi a arte. Ele na sua arte de fotografar  e eu na minha arte de dançar. Foi um papo super agradável desde o início que dura até hoje e somos grandes amigos.
Conhecer pessoas com um papo agradável sempre vale a pena!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Recebendo Emiliana Vaz em "Se enamore por alguém, mas por você também"

Emiliana é um dos meus mais lindo achados no mundo da blogsfera. Sabe aqueles não globais, não estrelas, aquelas pessoas "normais" que a gente admira?! Eis uma delas! Admiro sua forma de ver a vida, de encarar os fatos, de chegar aos 40, de se despedir, de voltar atrás, admiro seu modo de ser e de escrever sobre tudo isso.
E esse texto... que belo texto! Parece um presente escrito pra mim. rs. Fala sobre tudo o que tem me interessado, sobre tudo em que eu tenho acreditado e é tudo o que eu precisava ler. Que incrível sensibilidade.
Tamanha foi a importância de Emiliana nos últimos meses de 2011, tanto eu aprendi com ela que fiz questão que seu texto fosse o primeiro a ser postado por convidados aqui no meu blog para que todos possam também aprender com ela. Tenho falado muito sobre essa mulher, e sempre há mais o que dizer mas hoje deixo que vocês se encantem com seu texto, com suas palavras para que enxerguem a pessoa que eu já tive o prazer de "conhecer".
À você Emiliana mais um muito obrigada de coração!

Foto enviada por Emiliana Vaz


Fui convidada por essa querida,Camila Goes a quem eu amo muito,a escrever um texto para o seu blog.Muito obrigada por essa grande honra.Então, quero falar de...amor.

Pelo que eu tenho lido,visto,e vivenciado,nem era para escrever esse texto.Tantos relacionamentos fracassados,mulheres magoadas,homens revoltados,traições,brigas,separações,que para mim,hoje ,é meio complicado opinar.O amor está tão banalizado...Mas ao mesmo tempo caio em contradição.Por que?Porque eu escrevo sobre o amor.Eu conto histórias reais e criadas por minha imaginação.
Eu preciso acreditar no amor.Eu sempre acreditei!
Mas chegamos ao ponto,e eu ouvi isso várias vezes nos últimos tempos:de escolher os parceiros para uma vida em comum.Escolher?Como assim?
Você chega num site de relacionamentos,ou numa agência matrimonial,e pede:
__"Quero um sujeito entre trinta a quarenta anos,precisa ser alto,ter cabelos,careca nem pensar.Precisa ser atlético,não pode ter uma grama de barriguinha.Tem que beijar bem e principalmente bom hálito visitando o dentista regularmente,se vestir na moda,ter uma educação exemplar,precisa gostar de comédias românticas como eu,não pode gostar de futebol.Praia não muito,serra muito menos.Precisa me levar café na cama aos fins de semana.Sexo ótimo!Ah,que não seja muito apegado a mãe,não queira filhos muito cedo,porque não estou afim de estragar meu corpo recauchutado pelas plásticas.Gastei uma fortuna com meus peitos novos!E por último,ele deve ganhar bem,muito bem,caso eu perca meu emprego ele paga as minhas dívidas.Afinal de contas de algo precisa valer essa união né?"
"Procurar um parceiro ideal",Eu fico pasma!Alma gêmea,existe sim,poucas,mas existem por aí.O ideal?O que é o ideal?
Eu sinceramente não sei.
Sou do tempo que o amor...ainda era mágico.O primeiro olhar,o primeiro toque,a alegria de sentir o coração batendo forte cada vez que via a pessoa amada.E não eram só as mulheres que sentiam essas coisas,os homens também.E muitos sentem!
No entanto hoje em dia,se fala de sexualidade agressiva.Homens associam o sexo a agressividade...como assim?Vão bater nas parceiras?Encher a cara delas de porrada?
Sexo é ótimo,e faz parte.Desejar alguém já é um bom começo.Sentir vontade de dar prazer,ver a parceira(o) sorrir feliz depois do sexo,dormir sereno e satisfeito é compensador.
E mais ainda se tudo isso for unido àquela sensação de plena alegria por estar com a pessoa que "surgiu" em sua vida do nada,pode ser em um ônibus,numa balada,no shoping,na praia,parente de alguém.Mas não àquela que você foi na agência mais próxima "comprar",e sim se deixar levar pelas sensações que invadem nosso corpo,nossa alma,e que enchem nossas mentes de pensamentos maravilhosos sobre o amor.
Claro,hoje em dia eu sou muito objetiva quanto a esse assunto.Na idade em que estou,não vejo mais o amor como quando tinha vinte,trinta...um amor de Romeu e Julieta!
Não!O amor para mim é diferente.Mas continua mágico,poético,essencial na vida dos seres humanos.Todos nós queremos amar e ser amados.Por mais que afirmemos o contrário.
Recebo tantas histórias,boas e muito mais ruins,que preciso me exercitar para não cair totalmente em desgraça quanto ao amor.Preciso conservar meus 50% de romantismo.
Quero continuar acreditando que as pessoas se amam porque acontece.É a magia do amor...acontecendo em qualquer hora,lugar,com qualquer pessoa.Casais de mulheres,casais de homens,casais heteros,não importa.
Desde que seja amor verdadeiro.E é bom que se saiba,que o AMOR também tem defeitos,mas sendo ele verdadeiro,é amado igualmente.
Não busque seu parceiro(a).Ele virá até você.Nada é por acaso.O mundo gira,e nós não paramos enquanto vivemos.
Enquanto isso as coisas vão acontecendo.Uma teia invisível vai se formando em volta de você até o amor surgir.
Eu ainda levo fé no sr Destino,na Mãe natureza,e principalmente em Deus.Se a gente abrir o coração,purificar a mente,deixar nossa alma evoluir,Deus nos mostrará o caminho,e esse caminho,gente,só existe o amor em toda sua plenitude.

Então,aproveito que o ano está começando e que,dizem os especialista que 2012 é o ano da alma gêmea,para te desejar muita saúde,paz,e amor no coração.Mas que você se ame antes de qualquer pessoa,e sinta-se feliz consigo mesmo,estando acompanhada(o) ou não.
E se estiver sozinha(0) não se chateie.Se enamore por você...logo,logo,você estará enamorada(o) por alguém.
Tenho tanta certeza de como estou aqui agora escrevendo esse texto.

Beijo no coração

Emiliana Vaz

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Recebendo Ana Paula Fernandes Ventura em "Quebrando o tabu"

Conheci a Ana Paula há anos atrás através de um amigo em comum e com o tempo fomos nos tornando amigas. Sempre trocamos idéias sobre os mais diversos temas, seja pessoalmente ou via email. E, embora nem sempre tenhamos a mesma opnião, admiro sua forma de se expressar. Me tornei leitora assídua de seus textos e com eles sempre repenso meus pontos de vista.
O filme ainda não assisti, infelizmente. Quanto as drogas, usuários, traficantes, tratamentos e punições tenho minha própria opnião, que por vezes já ensaiei postar no blog mas ainda não fiz. Entrego a vocês, o ponto de vista da Ana Paula para que possam refletir sobre esse enorme problema que atinge a todos. E à você Ana Paula, muito obrigada por nos oferecer seu texto.

Quebrando o tabu




Fui ver 'Quebrando o Tabu' esse fim de semana. Um documentário sobre drogas, produzido por Fernando Menocci, Silvana Tinelli e Luciano Huck. Fa-bu-lo-so!
Apresentado pelo ex presidente Fernando Henrique Cardoso, que sempre admirei muito. Fernando Henrique é sociólogo, professor universitário, um intelectual. Foi eleito o 11º pensador global mais importante, pela revista Foreign Policy em 2009. A presidência veio para agregar sua bagagem.
Ultimamente estou muito radical, intransigente (como diz uma amiga minha) em relação às drogas. Essa mesma amiga me chamou a atenção para o fato de que drogas = doença. O documentário também chamou muito a atenção para isso. Levantou a questão de que os usuários são tratados como criminosos, quando na verdade eles precisam de ajuda, estão doentes. Mostrou que em alguns países deu certo tratar as drogas como uma questão de saúde. E confesso, antes de assistir o filme não pensava por esse ângulo.
Então vamos lá. Está fugindo de que?! É essa a primeira pergunta que se tem que fazer para o usuário. Quando falo do usuário, não falo apenas daquele que exagera. Você não precisa bater o carro bêbado, não precisa puxar um beck todo dia, não precisa ir à cracolândia para perceber que você esta indo além dos seus limites.
A vida esta difícil? Amigo, quero te contar uma real: todo mundo tem motivo para usar drogas e fugir. TODO MUNDO! Se você for perguntar para cada um que usa, todos vão te dar motivos plausíveis para usar. Sem exceção. E vou te contar um segredo: é de fundo emocional. Sempre! Sem exceção. Se você me vier com o argumento que muitos estão lá por causa do dinheiro, armas, ou qualquer outro motivo superficial; faça-me um favor, converse por 30 minutos com o usuário, de atenção a ele, e você vai escutar como ele foi parar ali. E amigo, não foi o dinheiro, armas, nem a sociedade. A base do problema é sempre emocional. E a droga é uma fuga de si mesmo. Mas sempre lembrando que é uma escolha. Diferente de outras doenças, essa especialmente é no mínimo de 50% culpa sua (por mais que existam pessoas que já nasçam com propensão ao vicio). Entrar é uma escolha sua.
Bom, fica a dica de um documentário maravilhoso. Recomendo!
Drogas? Não obrigada!

Ana Paula Fernandes Ventura

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Recebendo Verbena Braga em "Na capital da nossa nação!"

Eu e Verbena nos conhecemos nos tempos de faculdade. Tempos em que sempre conhecemos muitas pessoas... entre tantas que se perderam no tempo, Verbs (como eu a chamo) foi uma das que permaneceu em minha vida. Apesar de muito diferentes em quasse tudo, nossos tempos de badalação e farra na faculdade se transformaram em amizade, dessas que se leva vida à fora. Ultrapassamos a distância espacial quando vim morar em Brasília e hoje, novamente, estamos juntas aqui na Capital. Anos depois, Verbs também se mudou para cá e enfrentar o dia-a-dia essa cidade um tanto peculiar nos uniu ainda mais.
Lá atrás, um dia, a Verbs me disse que eu era sua amiga mais inteligente. Hoje, eu digo que ela é a minha amiga mais politizada. Entrego aqui à vocês um lado que nem todos devam imaginar que ela tem. E à você Veeerbs, acho que estamos descobrindo seu caminho... obrigada pelo texto!

Na capital da nossa nação!



Desde que me mudei para a capital da nossa nação, senti uma vontade imensa de participar mais da vida política. Oh, não me diga? A verdade é que somos milhões de desinteressados sobre o que acontece depois que exercemos o nosso mais forte direito político e democrático: o VOTO.
Atualmente, de tempos em tempos vamos às urnas para apertar botões sem saber ao certo o que estamos fazendo. Terá sido porque se tornou um dever?Não irei entrar nessa questão, pois a retórica é cansativa. A questão é que não estamos exercendo nossa cidadania com consciência.
A primeira vez que entrei no Congresso Nacional cheguei a me arrepiar. É grandioso, imponente, mas infelizmente não condiz com a qualidade dos parlamentares. Como diz a canção,” são 300 picaretas com anel de doutor”, É lobby, é conchavo, é propina e jeton, variações do mesmo tema sem sair do tom. Quem quer aprender a votar?Meia dúzia de gatos pingados levanta a mão. Quem quer um trocado pra votar no anão ladrão?Meio milhão aceitam, sem passar pela cabeça o não. E assim,a tribo dos coronéis aumenta...
O ambiente reinante não é favorável à política. Antes todos se querem  desresponsabilizar e  todos vão sentindo vontade de atirar para cima dela todas as culpas. Entrar na política é assumir afinal uma culpa que vem de séculos, que abrange todos os domínios, que se partilha com todos. A política é o domínio em que se não pode fugir à culpa. Ser político é ser responsável por tudo, tendo muito pouco por onde assumir responsabilidade direta.
O meu maior desejo é que os jovens se interessem pela política cotidiana do local onde vivem. Saber que se paga um  imposto vergonhoso pela conta de luz e lutar para que isso diminua é ser político. Fazer passeata para que a ficha limpa seja cumprida é um direito nosso. Agora,pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza é o que mesmo??
Muitos irão dizer que não adianta tentar mudar, pois os políticos são todos corruptos e a impunidade impera. Os dogmáticos se agarram a pedaços do barco, mas o importante não é punir sei lá quem. O fundamental é mudarmos a nós mesmos. Assim,alguma flor surgirá desse vexame.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Recebendo Daniele Brito em "Bipolar"

O blog da Dani foi um dos primeiros que eu comecei a seguir e sempre que o meu tempo permite passo lá para dar uma olhada no que de bom ela tem postado. Um belo dia, com mais tempo sobrando fui fuxicar as postagens mais antigas e me deparei com uma em que a Dani se apresentava como bipolar. Nesse momento minha visão sobre essa mulher mudou completamente e passei a admira-la não só por conviver com tal transtorno como também por sua coragem de se expor como tal.
Eu como profissional da área sei o quanto a vida de alguém se transforma depois de receber um diagnóstico e admiro profundamente as pessoas que sabem lidar com eles sem se enclausurarem dentro da denominação.
Entrego a vocês agora uma parte do mundo da Dani que eu espero ajude a todos a desmistificar um pouco as tantas crenças a respeito da saúde mental. E à você Dani, meu muito obrigada cheio de admiração.


BIPOLAR


 


Você já se imaginou preso a algo que vc não vê? Acorrentada sem correntes? Cansada, desanimada, desestimulada sem nenhum motivo aparente? Pode ser depressão.
E de repente amanhecer super disposta, se sentindo a pessoa mais feliz do mundo, com uma capacidade de raciocínio fora do normal, extremamente ágil para executar ações corriqueiras, com uma sensação de invencibilidade que te faz esquecer o passado cinza, tão recente, como se nunca o houvesse vivido? Pode ser mania (euforia).
E a soma dessas duas fases, é a tal da bipolaridade. Prazer, sou Daniele, 31 anos, casada e mãe de dois filhos que foi diagnosticada como bipolar em 1997.
Não foi fácil aos 17 anos, aceitar essa condição, essa doença que me acompanharia por toda a vida. Não tem cura, apenas perspectiva de melhora. E nessa fase, louca por si, vivi a gangorra emocional da bipolaridade com toda a sua força!
Nenhum relacionamento passou incólume a isso. As brigas com minha mãe, irmãos e namorados faziam parte da minha rotina. Ora me fazendo de vítima, ora os provocando com minha falsa felicidade histérica.
As pessoas que conseguiram enxergar o ser humano por trás de algumas características não muito agradáveis, continuam na minha vida até hoje, amparando e consolando e puxando a orelha quando necessário.
Depois de muitos altos e baixos, de perturbadoras e violentas crises, aceitei fazer o tratamento medicamentoso e terapêutico.
Por anos a fio, fiz litemia a cada três meses, para medir a quantidade de lítio no sangue e, assim, ajustar a medicação.
Não seria saudável passar a vida culpando a bipolaridade justificando todos os erros, por isso a terapia é importante. Chega um momento em que é preciso se educar, domar a agressividade, aprender a ser assertiva, aprender, sobretudo a se relacionar com o outro.
Graças à terapia consegui achar um ponto de equilíbrio nessa eterna roda viva.  
Foi buscando conhecimento, que aprendi a me aceitar. Conhecendo outros testemunhos, que pude perceber que eu não estava só e pude me libertar da culpa, sempre tão pesada.
Não tenho crises há longos dez anos, ou seja, desde que casei. E meu marido, ficou sabendo de minha condição desde o primeiro instante e foi com muito afinco e por muito amor, que aprendeu a se relacionar comigo. Aprendeu a calar e eu aprendi a ouvir. Tudo na hora certa.
Convivo muito bem com quem tem noção de respeito.
Já prometi pra mim, várias vezes que não iria mais falar disso com ninguém. Pois, uma vez que você se assume, todas as suas emoções passam a ficar engessadas.

Tiram o seu direito de se entristecer, de se emputecer, de se alegrar, de não se calar... É preciso coragem pra assumir, mais ainda, pra se fazer respeitar!
Que fique claro: sou bipolar e continuo sendo humana, certo? Com todas as emoções inerentes à esta raça. E, como mulher, continuo com o feroz carrossel de hormônios.
E é como eu sempre digo: sou uma mulher comum com seus dias de lua e suas noites de sol.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Recebendo Thalita Kalix em "O novo é assustador"

Conheci a Thalita já aqui em Brasília e trabalhamos juntas durante mais ou menos um ano. Durante esse tempo nossa convivência foi mais no dia-a-dia atarefado de ambas e sem muita intimidade. Até que a Thalita resolveu largar tudo para mergulhar em uma nova experiência. Foi à partir de então que nosso relacionamento transpôs o "horário comercial" e comecei a admirar a Thalitinha e toda a sua coragem.
Entrego à vocês agora o texto dessa jornalista que está se despedindo da carreira para se profissionalizar em outra coisa que já faz muito bem, cozinhar. E à você Thalita, agradeço pelo texto e desejo muita boa sorte para que mais uma vez você se realize. 


O novo é assustador

Amsterdã

É super clichê, mas cada vez que saímos da nossa situação cômoda, na qual estamos habituados, o medo toma conta. A ansiedade é a primeira a dar as caras: os pesadelos começam a nos visitar todas as noites, dores de cabeça, de estômago, cada hora um sintoma nos atormenta.
O mais incrível é quando passamos por uma situação pela segunda vez e, mesmo assim, sentimos tudo isso de novo. É o que estou vivendo desde que decidi dar um tempo no jornalismo e tentar a sorte na gastronomia - transformar o meu hobby em trabalho. No dia 15 de agosto embarco para Paris, onde frequentarei a escola de gastronomia mais conhecida do mundo. Isso deveria me deixar radiante, mas, confesso, em muitas horas, me apavora.
A insegurança é enorme: me pergunto por que, cargas d'água, deixei uma profissão na qual era bem sucedida apesar de apenas três anos de experiência para começar do zero em algo que nunca fiz profissionalmente - cozinhar é apenas um gosto, afinal. O medo de não alcançar o sucesso, de falhar, de não conseguir acompanhar o curso, de não me virar na cidade, tudo cresce de uma forma irracional. Por que sair de casa, de perto do meu meio, do meu namorado, dos meus amigos, da família que cultivei nesses sete anos de Brasília?
Essa é a segunda vez que moro fora do Brasil, mais especificamente na França. Só que na primeira, em 2008, quando passei sete meses, eu fui com mais três amigas - que falavam melhor o francês do que eu. Elas eram uma segurança e tanto! Além do que, eu fui com a volta marcada e perspectivas em Brasília: terminar a faculdade, que faltava apenas um semestre.
Desta vez, nada disso se aplica e a sensação de não ter chão é forte em vários momentos. Mesmo tendo vários conhecidos em Paris, amiga de amiga que está me dando a maior força, não será a mesma coisa. Eu estarei por minha conta e risco. E estou recomeçando na profissão, não apenas dando um tempo da faculdade. Quando voltar, terei que buscar alternativas de sobrevivência...
Ok, quando racionalizo sei que não é nenhuma loucura: me viro bem na língua, tenho com quem contar em caso de problemas na França, farei uma boa escola, o que implica numa boa formação que pode abrir portas e, na pior das hipóteses, já tenho uma profissão que me permite trabalhar em diferentes áreas.
No fim das contas, mesmo que racionalmente não haja o que temer, é difícil manter a calma quando a viagem vai se aproximando. É uma nova fase começando, do zero! Não tem jeito, tem hora que dá um enorme frio na barriga do novo, do desconhecido!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Recebendo Jefferson Chagas em "Do Desconhecido"

O Jeferson eu não conheço há muito tempo. Na verdade, posso até dizer que é foi uma espécie de "souvenir" me oferecido pelo ano de 2010. "Souvenir" não no sentido de algo de pequeno valor mas sim no sentido de algo de bom que nos é dado ou que oferecemos a alguém quando partimos, no sentido daquela lembrancinha que a gente leva de algum lugar que gostamos muito. Digo isso porque fui apresentada ao Jeff, como eu o chamo, já nos últimos dias de 2010 como se o ano estivese me deixando mais uma lembrancinha dele enquanto se despedia. Mas foi no 1º dia de 2011 que viramos a noite como grandes e velhos amigos e nossa amizade relamente começou. De lá pra cá, apesar da nossa diferença de idade, o Jeff só me encantou dia a dia com a sua sensibilidade e bom gosto.
Entrego a vocês agora o lado doce e ecantador desse menino com quem me perco por horas a conversar. E à você Jeff, mais uma vez meu muito obrigada e FELIZ ANIVERSÀRIO!!!


Do Desconhecido



Agora sou apenas eu e eu. Querendo escritas nas minhas páginas em branco.  As comédias românticas me inspiram e emocionam, fazem minha mente bailar em consonâncias.  A ordem é transgredida, o medo anulado, o frio no umbigo é único, o suspiro pleno, a armadura desativada.    Me submerso, acredito em sintonia.  Eu vou, ele vem, ele vem, eu vou, a ordem das árvores não altera o fruto.  A cada colheita, o merecimento, a cada mordida, a mais saborosa, a cada surpresa, gostinho de quero mais. O banquete é todo nosso, sirva-se à vontade.  Somos unos, múltiplos, imensos, nunca os mesmos, sempre os únicos, os mais intensos. Riso, abraço, choro, aconchego, idéias, loucura, palavras, alegria, criança, expectativas, querer bem, beijos na bochecha no meio da rua, angustia, mãos que se conhecem, claridade, cheiro, presença, carinha de sono, saudade, toque, divergência, tudo, tudo participa e se torna conforto na nossa cena. Não fazer nada do seu lado é criar o nosso mundinho. Acordar entrelaçado por seus braços é acreditar que o melhor mundinho me adotou.  Somos essência e universo.  A leveza nos assegura do quanto estamos prontos. Abraço teu passado, traumas, vazios, confusões, como quem se dá colo.  Somos espelho.   Multiplicamos somando aprendizados.  Apenas agradeço, pois dentre as alternativas que teve, você preferiu seguir comigo inteiramente, internamente. Aquelas páginas em branco, hoje são coloridas em tom vermelho. Somos protagonistas de alguns espetáculos. Eu sou o seu menino, e você o meu afeto. A propósito, já disse que te amo hoje!?

Jefferson Chagas

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Recebendo Fernanda Iasi em "APAIXONE-SE"

Eu descobri o blog da Fernanda e a Fernanda, por acaso... o nome "Ah se eu fosse você..." despertou a minha curiosidade por me sugerir que alguém para colocar um título desses num blog só poderia ter uma personalidade, no mínimo, forte. Fui lá olhar e para minha surpresa me senti super em casa. Não... não é um blog dos mais acolhedores, em relação àqueles que quase imploram pra você ficar mas é um blog que transborda autenticidade e nada me faz sentir mais à vontade. Fui fuxicando, fuxicando e me identificando, me identificando...
Ao fazer o convite passamos a interagir mais diretamente e, pra minha surpresa, acredito que para a dela também, nos descobrimos bem parecidas. No entanto, o mais surpreendente foi que enquanto discutíamos o tema chegamos a mesma conclusão sobre o que falar no mesmo momento. Enquanto ela digitava em São Paulo nas palavras dela eu digitava em Brasília usando as minhas, o que demonstrou uma sintonia absurda e tornou, ao menos para mim, esse texto ainda mais especial.
Entrego agora à vocês, esse texto que transborda intensidade e paixão. E, à você Nanda, muito obrigada pelo texto e pelas palavras dedicadas à mim.

                                          APAIXONE-SE



Quando a Camila me convidou pra escrever aqui, fiquei pensando no tema e depois mais tarde por MSN resolvemos falar de paixão. Ou melhor, de passionalidade.
Em algum momento da vida até a pessoa mais equilibrada tem uma atitude passional.
É impossível não ser passional quando mexem com teu filho. É impossível não ser passional quando mexem sem teu consentimento numa coisa que te é muito querida, seja palpável ou não. Porque aquilo é teu, você construiu, deu o direito a algumas pessoas de partilhar com você, pessoas que são especiais pra você.
E se vem alguém de fora que não sabe de nada, não acompanhou teu processo pra chegar até aqui e invade você vai virar um bicho, e com toda razão.
Claro que não tou fazendo apologia a atitudes extremas, tou falando de fazer as coisas com paixão. Comer, amar, cozinhar, escrever ou o que te dá prazer. A paixão é necessária até pra odiar, caso contrario somos indiferentes e a indiferença é pior que o ódio, porque indiferença é nada, e quem quer viver sentindo ou sabendo que desperta “nada” nas pessoas?
A vida cobra postura e opinião o tempo todo, e acho isso muito bom, e já que é assim o mínimo que se espera dela é algum retorno. Mas ele só vem se você toma as rédeas e diz: “agora é comigo, pode deixar.”
Levar as coisas a serio é importante sim, mas não é preciso fazer de cada fato corriqueiro uma apoteose. Guarde a seriedade pra você e divida as experiências de uma forma mais leve, use mais sua paixão pra viver.
Não perca seu tempo com gente que não vale a pena, nem com atitudes mesquinhas. Seja passional, MATE e ENTERRE tudo que literalmente não presta, inclusive relações que a muito deixaram de te dar prazer e você sabe disso.
Quando abro espaço pro novo, tou me dando a chance de recomeçar, de um jeito melhor e claro, com mais paixão.
Esse foi o primeiro convite que aceitei pra escrever num blog que não o meu, e aceitei porque a dona desse blog aqui é a cara da maior paixão que existe. A paixão pela vida.
Um beijo Cami, obrigada. 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Recebendo Betty Rouvier em "Desabafo de uma brasileira revoltada no exterior - Viva nosso Brasil"

Betty é uma espécie de "bônus" que recebi depois de muitos anos de uma amizade muito especial. Meu amigo Renzo que eu aaamo, se casou e pronto, eis que a Betty surgiu na minha vida. Alguém que entrou apenas como esposa de um amigo amado e hoje se tornou uma suuuper amiga. Apesar de estar em Portugal Betty é amiga do dia-a-dia, das horas difíceis, das horas alegres, amiga de palhaçadas e também de desabafos. Nosso dia-a-dia se constrói como se estivéssemos lado a lado, nem parece que temos um oceano a nos separar. Fazer rir é seu maior talento mas hoje, Entre Quatro Paredes, Betty vai mostrar que também sabe falar sério quando o tema pede.
Entrego à vocês o lado sério desta que é mestra em me fazer rir. E à você Betty, muito obrigada!!!



Era para ser um texto engraçado...uma boa comédia pois é o que faço melhor, porém hoje estou revoltada e preciso compartilhar isso!
Sou carioca...33 anos...casada....2 filhos ( Raphael - 15 anos e Maria Eduarda- 6 anos).
Moro em Portugal há pouco mais de 3 anos. Amo esse país por diversas razões...mas fico profundamente triste quando vejo que os brasileiros desvalorizam nosso Brasil. Tudo bem...concordo que no Brasil os políticos são corruptos...a saúde é precária... a educação deixa a desejar e outros fatores... mas poxa... francamente... quem só olha por esse lado é desprovido de inteligência e sofre da síndrome de Ed Motta - sim, Ed Motta...aquele boboca que EU achava inteligente mas provou ser um zé mané (para que entendam melhor leiam http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/915375-ed-motta-ofende-mulheres-e-musicos-e-cria-polemica-no-facebook.shtml  ... nem vale a pena eu perder tempo contando isso mas vale a pena ler p/ vermos como existem idiotas espalhados mundo a fora!)... voltando ao foco... depois de sair do Brasil e vir p/cá percebi o quanto o Brasil é maravilhoso. É diferente da experiencia de passar temporada fora... não confundam e não achem que eh a mesma coisa... pois temporadas fora já saímos sabendo que não demora mto voltaremos!!!
Aqui tive q organizar vida nova... escola... casa... carros... trabalho etc etc.... e não eh nada facil. Passado o choque cultural comecei a ver o lado bom de Portugal... mas vi também o lado ruim. Fiquei decepcionada quando descobri que falta de segurança, saúde precária ( por causa de péssimos médicos) e educação deficiente e o preconceito com os estrangeiros.  E as leis?! Trabalhista é nula... familia idem (exemplo: o pai pode pagar de pensao 70€ p/criança por MÊS)... e os politicos????? Nooosssa... salve salve nosso Brasil e a melhor politica do mundo qndo o assunto eh "politicos da europa"...e não eh so os de Portugal... vejam bem o da Itália q vive em escândalos e ngm tira ele...veja o da França q o povo foi a rua gritar contra o aumento da idade p/aposentar... da Grécia que quebrou... queridos, Brasil é maravilhoso!!! Ilusão sair do nosso país.... e a saúde na Inglaterra que acham ser PRIMEIRO MUNDO deixa mto a desejar... um lugar onde o aborto eh permitido mas qndo se tem um aborto espontâneo não há curetagem e só dão o devido atendimento qndo a pessoa está mals mesmo!!!! Melhor não entrar mto afundo senão não acabo hoje meu "protesto"!!!!!
E as faculdades que tds acham q as "de fora" sao as melhores....ah? hein? como asseeeem????? Ignorancia pura... burrice extrema!!!!! As faculdades daqui são só 3 anos... conheci uma jovem senhora (aqui chamamos mulheres casadas de senhora mesmo q elas tenham apenas 20 anos... tentei colocar moça... mulher... amiga.mas ja acostumei e só saiu o "jovem senhora" rsrsrs - ao menos serviu p/ aprender um pouco mais o vocabulário formal), sei que ela recém formada em contabilidade não sabia coisas básicas sobre abertura de empresas, contas e outras coisinhas simples... saiu completamente despreparada p/ o mercado de trabalho e até mesmo p/ uma simples "tira dúvidas". Advogados aqui são "ricos" pq só p/ olhar p/nossa cara temos q pagar a consulta q o valor mínimo comum são uns 100 a 150€... médicos são antas vestidas de branco... nunca vi tanto médico burro na minha vida!!!! 99% são completamente despreparados... já vi 3 casos do INEM (resgates tipo SAMU) onde deixaram a desejar... um foi o da minha vizinha q a mãe dela morreu após péssssssimo atendimento de uma atendente q não tinha a minima noção do atendimento q deveria prestar... depois foi o de uma menina atropelada aqui na frente da minha casa, um caso sem gravidade (aparente) pois o capô do carro ficou bemmm amassado e os médicos do resgate mandaram ela ir andando até a calçada, sentaram-na no chão e depois ela teve q se levantar e deitar na maca e ser colocada dentro da ambulância... sendo q ela voou com a pancada q levou.....e por último há 11 meses atrás (14/06) minha mãe foi atropelada por um caminhãozinho que vinha em alta velocidade e bateu nela em cima da calçada... o estado da minha mae parecia ser grave... graças a Deus não foi..mas saía mto sangue pela boca e não tínhamos como saber se estava machucada pois a roupa não deixava ver... mas houve quem perguntasse depois se ela tinha sobrevivido e os médicos q vieram resgatá-la, o INEM, ja iam colocando-a na maca sem antes colocar-lhe o colete e eu q tive q "me meter" (como boa simetona q sou) e questionar sobre o colete dai colocaram e apareceu um mdico q passava na hora e parou para ajudar e ele mesmo chamou a atenção dos q estavam fazendo o resgate devido ao modo como estavam colocando o colete na minha mae e como estavam colocando-a na maca... ainda bem q ele apareceu... salve nosso SAMU... nossos anjos dos Bombeiros tbm!!!! Ah... aproveitando o caso da minha mãe, volto ao assunto das leis... mesmo ela tendo sido atingida por um caminhao q vinha em alta velocidade e o condutor tendo assumido o erro e assinado tudo, ainda assim ela nao recebeu NADA e teve que pagar as custas do hospital e exames pois mesmo na rede pública temos q pagar pela utilizaçao... não eh 100% gratuito (a não ser q comprovem q a renda familiar eh mto baixa estando desempregado)... Nessa época sofri e pensei mto em voltar pro Brasil... nossa Pátria linda e amada!!!!
Mas hoje fiquei extremamente revoltada ao ver o Serginho Groisman num programa que não sei se passa na globo brasileira, aqui chama-se "Nós por cá" e percebi que brasileiros p/ agradarem ao povo do exterior ficam falando da violencia do Brasil comparando como se cá nao tivesse violencia!! Oras, acordem... tenho uma amiga q NUNCA foi assaltada no Brasil, vive cá há mais de 5 anos e já foi assaltada mais que 1x por ano... desde carro com vidro quebrado p/roubarem cd, passando por toalhas q ela deixou secando na varanda (o q aqui eh comum)... até óculos puxado da cabeça dela dentro do metrô. E ai? Ainda querem saber q não eh só o Brasil um lugar violento?! Fico furiosa qndo vejo isso acontecer... Se os brasileiros não podem ajudar, entao não atrapalhem e nem denigram mais a imagem do nosso querido e maravilhoso Brasil. Talvez esse tipo de gente tenha apenas passado temporadas fora e como eu disse antes: não vemos mtos defeitos nos lugares qndo estamos de "passagem".... saem dai p/ falar besteiras aqui fora!! Ah, poupe-me!!! Hoje vi que um amigo meu teve o passaporte perdido numa viagem a Europa e sabe o q um brasileiro disse a ele? Disse: "BEM FEITO para vc aprender a cuidar direito das suas coisas!".... Nao adianta..continuo a dizer q brasileiros no exterior so servem p/ prejudicar uns aos outros... 99% são assim!
Tenho pena de quem vive fora por obrigação... mas vai ser bom pro aprendizado... e assim, qndo voltarem ao Brasil irão dar mais valor do q nunca. Estou aqui por opção, contudo não sei qndo volto e nem se volto... Mas uma coisa tenho certeza que aprendi: "Que já dizia a Doroty: não existe lugar melhor do q o nosso lar!"
Brasil amor eterno... Pátria amada... calor humano e gente boa! Temos q aprender a ser mais patriotas... amar nosso país... ele não é perfeito, assim como ngm e nem lugar nenhum é... mas tenham certeza q ainda eh o melhor lugar para se viver feliz!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Recebendo Juliana Hollanda

Conheci Juliana Hollanda ou Jupy, como eu a chamava nos tempos de colégio, no 2º Grau. Desde então a sintonia apareceu. Duas apaixonadas por textos, além de nos vermos todos os dias, ao menos de segunda à sexta, ainda nos correspondíamos vez por outra. Para sermos mais livres no pensamento, acho, ou talvez, para exercitar o gosto pela escrita apenas. Na adolescência, choramos juntas por amores, curtimos festinhas e rimos de muitas palhaçadas. A vida nos separou espacialmente, cada uma seguiu seu mundo afora mas as afinidades nunca diminuíram. Sempre que a vida nos permite estamos juntas e nesses momentos é como se nenhum dia tivesse se passado desde aqueles bons tempos.
Juliana Hollanda se tornou poetisa e eu continuei sua fã, afinal, já curtia suas poesias desde o tempo de colégio. Nos meus 30 anos me emocionou recitando um de seus poemas para mim, deixando uma marca ainda mais profunda em minha história.
Hoje tenho o prazer de lhes apresentar minha grande amiga e poetisa entregue as letras. À Juliana, só tenho à agradecer: Obrigada Jú!!!


Bilhetes antigos guardados em gavetas são preciosidades. Tenham sido eles passatempo durante as aulas chatas de química ou declarações de amor. Sejam eles de uma pessoa com quem você ainda tem contato ou daquela pessoa distante de quem você nunca mais ouviu falar, mas gostaria.
Eles despertam uma nostalgia que não é barata, mesmo que pensemos o quanto às vezes pode ser prejudicial vivermos presos ao passado; neste caso, não é.
Partes da nossa história, mesmo que tristes precisam, de quando em vez, ser revividas, pois senão, a gente vira pedra de tanto levar pedrada.
Os sentimentos bons adormecidos quando despertados são como uma rosa que se abre aos poucos. Uma visão do belo que se transforma em extensão da retina e nos causa algo que eu particularmente chamo de poesia.
É o poema sem palavras que percebemos nos pequenos gestos. Na simplicidade.
A pureza tão necessária nesta busca incessante por sobrevivência neste terra de deficientes emocionais e correria.
Vivamos  o desconhecido e prestemos atenção nele.
Um abraço apertado. Um ombro para chorarmos. Um chocolate derretendo na boca. Aquele pão quentinho com manteiga e faz “croc” na boca. Os amigos. As amigas. A família que escolhemos, a que temos. A confiança. As fotografias. Coleções.
Cuidado, carinho, com os animais, com as pessoas e mais importante com nós mesmos são essenciais para que nossos lábios brilhem e os sorrisos brotem nos olhos.
Aconchego e lembranças é tudo o que precisamos para encontrarmos a plenitude.
“Isso é felicidade, meu amor ...”
                                                   
                                                                            Juliana Hollanda (11.04.11)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Recebendo Marcele Alencar em "Quando a vida fica de pernas para o ar"

Dia desses, antes mesmo de criar meu blog esbarrei com o blog da Marcele por aí. O título "Não quero merecer outro lugar" me chamou atenção e então entrei. Ao me deparar com um texto triste mas belíssimo fiquei impactada mas encantada. Vez por outra dei a voltar e sempre me deparava com textos, tristes, profundos e lindos.
O pouco da história de vida da Marcele ao qual tive acesso me fez admirá-la profundamente. A forma como expressa sua dor, a força com que segue em frente e as belas palavras de que se utiliza me fizeram virar sua fã.
Deixo agora que essa mulher incrível que encontrei pela blogsfera os encante com suas palavras e sua história como encantou à mim.
Marcele, mais uma vez, obrigada pelo texto incrível!

QUANDO A VIDA FICA DE PERNAS PARA O AR

Marcele e sua família, hoje.

Eu não acredito em acaso, mas também não acredito em destino. Não acho que a gente tá perdido no meio do caos, mas também não acho que exista uma rota programada pra cada um de nós. Eu não tenho convicções religiosas e nem entendo muito de fé, mas eu sei que depende de cada um, depende das escolhas que são feitas, dos valores que se tem e das experiências por que se passou, o rumo que damos às nossas vidas. Depende principalmente do desejo que temos de ser feliz, a despeito de tudo. É clichê demais, eu sei, mas é verdade.

Muito daquilo em que eu acreditava, muito do que eu tinha por certo na vida, muito da minha razão de existir até então, morreu numa curva da estrada, espatifou imprensada na lataria do carro em que estava meu marido Thiago, médico psiquiatra, um sorriso lindo, 28 anos, que morreu instantaneamente na manhã da quarta-feira, 20/01/2010, me deixando sozinha, aos 27 anos, com um pequeno na primeira infância e um bebê de pouco mais de um ano.

A minha vida mudou depois dessa tragédia. Eu me sentia ao meio, não tinha mais uma família inteira, não tinha mais o meu marido, o meu amor, o pai dos meus filhos, o principal provedor, o cara com quem eu contava para absolutamente tudo na vida, eu não tinha mais nada. A sensação é de que se foi atravessado por uma bala de canhão e milagrosamente ainda se estava vivo, respirando, consciente e orientado, mas sem anestésicos. É uma dor que não cabe, é uma dor que não assenta, é uma dor que não diminui e faz você ter certeza de que não vai passar.

Ter a pessoa que era seu rumo e seu norte arrancada da sua vida, assim, repentinamente, faz você olhar com outros olhos todas as mãos que são estendidas, cada abraço que é dado, cada palavra de conforto. Faz com que seja colocado em perspectiva tudo que antes era considerado problema sério, tudo que antes causava noite mal dormida, tudo que antes era motivo de lágrimas. Ante a irreversibilidade da morte, ante a impotência que se sente quando o fato é consumado, a gente percebe que tudo mais é muito pequeno, é minúsculo, é perda de tempo.

Eu repito: a vida mudou na manhã daquela quarta-feira. Eu perdi muito, me arrancaram parte do que eu era e do que eu queria ser, porque eu era mais inteira do lado dele. Destruíram uma família feliz, com fotos cheias de sorrisos e um amor-nó-cego inequívoco. Tornaram órfãs duas crianças tão pequenas que nem tiveram tempo de guardar lembranças do pai na própria mente. E, em muitas noites, trancada no banheiro em que ele deixara uma declaração de amor no espelho, com uma toalha na boca para abafar os gritos do choro convulsivo, eu me debatia por dentro querendo me convencer e suportar o nunca mais.

Foi o pior de toda a minha vida, indubitavelmente. E aí, a gente descobre que o mundo não para de rodar porque você está sofrendo, as pessoas não são mais educadas, nem os motoristas lhe dão passagem porque seu olhos estão rasos d'água, você não tem atendimento prioritário nas dezenas de repartições públicas a que precisa comparecer porque não consegue nem respirar direito. O mundo continua girando e tudo volta ao normal e o mesmo é esperado de você. E, assim, sem que você perceba, lenta e progressivamente, as lágrimas diminuem e demoram mais a cair, a respiração começa a ganhar ritmo, você volta a enxergar as cores do mundo e a desejar que dias melhores cheguem.

No momento em que a gente está sofrendo, é permitido sofrer, é valioso passar pela dor, caminhar pela estrada dela se sentindo amputado, mas é preciso olhar para frente, para o além disso, para o depois, mais cedo ou mais tarde. E é então que se chega na bifurcação do caminho, onde é dada a escolha de recomeçar ou de desabar ainda mais fundo. Nenhuma das duas escolhas é definitiva ou irreversível, mas também não são dadas garantias. Independentemente da escolha que se faz, é possível voltar de novo à bifurcação e tomar o caminho oposto. Eu escolhi recomeçar, por mim, pelos meus dois pequenos e pelo que o Thiago era. Eu escolhi ser feliz de novo a despeito dessa dor e dessa tragédia. Eu escolhi viver.

E eu sigo vivendo agora, com os caquinhos de mim colados em cola branca de baixa qualidade; às vezes pisando firme e às vezes cambaleando; muitas vezes rindo e, em algumas, ainda chorando... O que me resta agora é a certeza de uma fortaleza que eu não supunha que existisse em mim e também a convicção de que poucas coisas poderão me fazer sofrer mais do que eu já sofri. Disso tudo, decorre essa sensação de liberdade que permite arriscar sem temer a dor ou o sofrimento, porque eu já os tive e já consegui superá-los. Não me resta muito mais a fazer que não seja tentar ser feliz de novo e é exatamente por isso que eu digo sempre que estou na estrada, trazendo dois pequenos pelas mãos, buscando encontrar de novo um lugar em que eu poderei ser quem eu sou para sempre.



A lembrança da família completa

Marcele Alencar